FinadosA história do esporte é naturalmente emocionante. Homens e mulheres superam as leis da física e os limites do corpo ao atingir marcas nunca antes alcançadas. Hoje, no Dia de Finados, lembramos de heróis como Ayrton Sena que eternizou o Brasil nas pistas e o mestre Garrincha que eternizou seus feitos nos gramados. Mas, eles estão na memória recente. Então, aproveitamos a data para conhecer a trajetória de Adhemar Ferreira da Silva, Maria Lenk e João do Pulo, que marcaram a passagem do Brasil em mundiais abrindo caminho para os atletas que nos emocionam hoje. E você, de quem mais se lembra?

Adhemar Ferreira da Silva participou de 4 edições dos Jogos Olímpicos, a primeira delas em Londres 1948, foi bicampeão em duas delas no salto triplo e na primeira estabeleceu um recorde mundial (Helsinque 1952 e Melbourne 1956) e encerrou a carreira olímpica na edição de Roma 1960. Ele brilhou também nos Jogos Pan-Americanos, sagrando-se campeão em Buenos Aires 1951, Cidade do México 1955 (marcou outro recorde mundial da carreira) e Chicago 1959. Foi o primeiro tricampeão pan-americano do Brasil, feito igualado somente 40 anos depois. Duas curiosidades de sua carreira chamam a atenção. No pódio dos jogos da Finlândia (1952) ele encerrou um jejum de 32 anos do Brasil em Jogos Olímpicos. O primeiro feito foi de Guilherme Paraense, que fez história no tiro esportivo na Antuérpia, em 1920. Em Helsinque 1952 ele foi ovacionado pelo público e um dos juízes sugeriu que ele percorresse a pista para cumprimentar o público. Nasceu na ocasião a volta olímpica.

Maria Lenk foi a primeira mulher sul-americana a participar dos Jogos Olímpicos. Ela participou dos Jogos de Los Angeles em 1932 e de Berlim-1936, quando pela primeira vez uma mulher usou o nado borboleta, recém-desenvolvido nos EUA, em uma competição oficial. O estilo só entrou no programa olímpico 20 anos depois (Melbourne 1956). Também foi primeira atleta brasileira a bater um recorde mundial na natação, nos 200m e 400m peito em 1949. Ajudou a fundar a primeira escola de educação física do Brasil, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde foi professora e diretora. E nadou até o fim da vida, aos 92 anos, enquanto treinava no Rio de Janeiro. A atleta da nome ao Centro Aquático erguido para o Pan 2007 e que se remodelou para os Jogos Rio 2016.

João Carlos de Oliveira (João do Pulo) também fez nome em competições internacionais. Nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México, 1975, superou por 45cm o recorde mundial da época. A marca na modalidade só foi batida 10 anos depois, mas, o feito garante, até hoje, o recorde em edições Jogos Pan-americano. João do Pulo conquistou também a medalha de bronze nas Olimpíadas de Montreal 1976. Em Moscou 1980, saltou próximo dos 18m, que seria um novo recorde, mas, o salto não foi validado. Décadas depois, os fiscais confessaram informalmente que o salto foi válido. Em 1981, quando ainda tinha 27 anos, João do Pulo teve sua perna amputada em consequência de um acidente de carro. Morreu em 1999, um dia após completar 45 anos.