Rodrigo já está em Londres, onde disputa a primeira das três provas, no próximo domingo (16). (Foto: Arquivo Pessoal)

Medalhista de prata e bronze na Paralimpíada do Rio, no ano passado, Rodrigo Parreira da Silva, beneficiário do programa Bolsa Atleta da Secretaria de Estado de Esportes (SEESP), está em Londres, na Inglaterra, onde buscará a partir do próximo domingo (16), o primeiro título mundial de sua carreira.

Ao lado de outros 24 atletas, ele integra a delegação brasileira, Rodrigo disputará o Campeonato Mundial de Atletismo Paralímpico, organizado pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC), entre os dias 14 e 23 de julho. Contemplado pelo terceiro ano consecutivo pelo programa da SEESP, Rodrigo irá disputar as provas de salto em distância, 100 e 200 metros rasos, na classe T36, para atleta com deficiência física causada por paralisia cerebral.

Segundo Rodrigo, o benefício é fundamental para que continue com um bom desempenho nas pistas. “O Bolsa Atleta me ajuda de várias formas, seja bancando meus treinamentos, ou minhas viagens para competições. Além disso, ser bolsista é mais uma motivação para continuar melhorando minhas marcas e dessa forma continuar sendo beneficiado”, destaca.

Com apenas 22 anos, Rodrigo é uma das principais apostas do Comitê Paralímpico do Brasil (CPB), para a Tóquio 2020, ainda mais depois dos resultados obtidos na Rio 2016, quando conquistou as medalhas de prata, no salto em distância, e de bronze, nos 100m rasos.

Na Rio 2016, Rodrigo conquistou as medalhas de prata, no salto em distância, e de bronze, nos 100m rasos. (Foto: Fernando Maia/MPIX/CPB)“O Mundial de Londres será a primeira grande competição do ciclo paralímpico de Tóquio, em 2020. Com isso, o Rodrigo foi para lá em busca de alcançar suas melhores marcas pessoais. O resultado será consequência disso. Sabemos que ele enfrentará os principais nomes da modalidade, mesmo assim ele está pronto para brigar de igual para igual com eles”, confia Leandro García que é o técnico de atletismo paralímpico da equipe Minas Olímpica, de Uberlândia. Assim como seu atleta, Leandro também recebe benefícios da SEESP, só que no seu caso é o Bolsa-Técnico.

Confiante que pode repetir e até melhorar esse resultado no Mundial, o atleta sonha em conquistar sua primeira medalha de ouro a nível internacional. “Eu sei que ainda estamos fazendo o trabalho de base para chegar forte em Tóquio. Mas, vou dar o meu melhor aqui em Londres. Tenho como meta na minha carreira ser campeão paralímpico e mundial e não posso desperdiçar essa oportunidade. Dando o meu melhor aqui eu sei que conquistarei medalha, espero que seja a de ouro”, acredita Rodrigo.

Em Londres, Rodrigo disputará sua primeira prova neste domingo (16). Por volta de 7h10 (de Brasília), ele entra na pista para a disputa da semifinal dos 200m rasos. Se avançar para a final, Rodrigo voltará a pista, na segunda-feira (17), às 16h30. Já na terça-feira (18), é a vez do salto em distância. A partir de 16h20, os principais nomes. Por fim, no sábado (22), Rodrigo disputa, às 8h20, a semifinal dos 100m rasos, e se passar para a final volta a pista, às 16h10, no mesmo dia.

Esta será a oitava edição do Mundial de Atletismo Paralímpico. Cerca de 1.300 atletas de 100 países são esperados nas 213 disputas por medalha, todas no Estádio Olímpico de Londres. Em 2015, o Brasil ficou com a sétima colocação no quadro geral de medalhas do evento, disputado em Doha, no Catar. Foram oito medalhas de ouro, 14 de prata e mais 13 de bronze.

Desempenho na Paralimpíada
Assim como no Mundial, Rodrigo também disputou as três provas na Paralimpíada do Rio. No salto em distância, ele conquistou a medalha de prata ao atingir a marca de 5,62m, que é o recorde paralímpico. Porém como seu principal adversário, o australiano Davidson Brayden, também atingiu 5,62m em seu melhor salto, o desempate foi feito pela segunda melhor marca dos atletas. E, enquanto Brayden atingiu 5,57m, Rodrigo saltou 5,55m.

Já nos 100m rasos, o atleta ficou com a medalha de bronze, ao fazer o tempo de 12s54, pouco menos de meio segundo a menos que o malaio Ridzuan Puzi, que ficou com o ouro. De quebra, Rodrigo também se tornou o recordista nacional nesta prova.

Histórico
Goiano de nascimento (Rio Verde) e residente em Uberlândia, Rodrigo tem paralisia cerebral e começou a vida de atleta na natação. Posteriormente, ele passou para o halterofilismo, até se firmar no atletismo, em 2013, quando disputou pela primeira vez os Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG), competição organizada pela SEESP.

O JEMG é o maior e mais importante programa esportivo-educacional do estado, é uma ferramenta pedagógica que valoriza a prática do desporto e a construção da cidadania de alunos-atletas entre 12 e 17 anos. “Ao longo dos anos, não faltam exemplos de esportistas que deram seus primeiros passos no JEMG para alcançarem carreiras de sucesso”, reforça o secretário de Estado de Esportes, Arnaldo Gontijo. Ele comenta que neste ano a competição contou com grata surpresa: um número recorde de 830 cidades inscritas, isto é, 97% dos municípios mineiros.

Em seu primeiro ano como atleta, Rodrigo disputou o JEMG e as Paralimpíadas Escolares de 2013 (Foto: Aquivo FEEMG)Mesmo sem muita experiência, Rodrigo mostrou seu potencial e conquistou o título da competição estadual, se classificando assim para representar Minas Gerais nas Paralimpíadas Escolares daquele ano. Lá, novamente ele brilhou e conquistou o título em duas provas: o lançamento de dardo na categoria F36 e os 100 metros rasos, ambos na classe T36.

"O Rodrigo iniciou no esporte em 2013, aqui em Uberlândia, e sempre demonstrou uma aptidão física acima da média, tanto é que desde as primeiras competições ele conseguiu se destacar. Além disso, ele foi subindo degrau por degrau. Primeiro ele disputou o JEMG, passou pela Paralimpíada Escolar, antes de começar a treinar e competir nas principais provas do circuito nacional, em 2014”, conta Leandro.

Em 2015, o atleta se mudou para São Paulo, quando passou a utilizar o Centro de Treinamento do CPB, antes de retornar para Uberlândia, no final daquele ano. Desde 2016, Rodrigo treina na cidade do Território Triângulo Norte, usando as dependências do Sesi Gravatas.

Conheça o Bolsa-Atleta e Bolsa-Técnico
O programa Bolsa-Atleta e Bolsa-Técnico tem o objetivo de garantir a manutenção da carreira dos atletas e técnicos de alto rendimento, buscando dar condições para que se dediquem ao treinamento esportivo e à participação em competições para o desenvolvimento pleno de sua carreira esportiva, de forma a manter e renovar periodicamente gerações de atletas com potencial para representar Minas Gerais nas principais competições nacionais e internacionais.

No edital de 2016, foram disponibilizadas 109 bolsas, cujos valores variam de acordo com categoria, e serão destinados um total de R$ 1.132.500,00 para o pagamento do benefício, previstos para iniciar em breve.