Foto: Divulgação/SEEOs Jogos dos Povos Indígenas de Minas Gerais chegam à sua quinta edição buscando promover o esporte socioeducacional nas aldeias indígenas mineiras como instrumento de fortalecimento da identidade das culturas tradicionais. O evento, que será realizado entre os dias 13 e 17 de setembro na reserva indígena Xucuru-Kariri, localizada no município de Caldas, no Território Sudoeste, é viabilizado pela parceria da Secretaria de Estado de Esportes (SEESP) com a Secretaria de Estado de Educação (SEE) e a Prefeitura Municipal de Caldas, e conta com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (SEDPAC) e Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Participam dos Jogos cerca de 1.000 indígenas, com idade a partir dos 15 anos, de 11 etnias de todo o estado. Estarão em disputa as modalidades Derruba o Toco, Arco e Flecha, Cabo de Guerra, Zarabatana, Corrida do Maracá, Bodok, Arremesso de Lança e Futebol. Os três primeiros colocados em cada modalidade receberão troféus tradicionais, produzidos pelos próprios indígenas da etnia anfitriã da competição.

Para o secretário de Estado de Esportes, Arnaldo Gontijo, o apoio à competição possui interesse público relevante. “Queremos democratizar o acesso de todos ao esporte e, neste caso, também celebrar e valorizar a cultura dos povos indígenas que fazem dos seus Jogos uma grande festa do esporte, com suas modalidades tradicionais e com a interação entre as diferentes etnias”, afirmou.

Anualmente, os Jogos Indígenas deixam legados importantes nas comunidades para salvaguarda de valores originais, abrangendo 11 etnias, com mais de 17.500 indígenas, distribuídas em seis regiões do estado.

A quarta edição, realizada na Aldeia Verde do Povo Maxakali, em Ladainha, em 2016, teve como herança a reforma integral do casarão cultural na área de convivência da aldeia.

A liderança e presidente do conselho local de saúde da Aldeia Verde, Itamar Maxakali, conta como o novo espaço movimenta e contribui para a rotina dos indígenas na aldeia.

“O casarão cultural foi completamente recuperado. A casa estava muito defasada e após os jogos foram consertados o teto, as paredes, ganhou uma nova pintura, cerâmica na casa toda, além de ter ampliado o tamanho com a construção de um escovódromo (local onde todas as crianças da aldeia escovam os dentes) e reformado também os dois banheiros”. Itamar Maxakali, liderança da Aldeia Verde do Povo Maxakali.

A reforma possibilitou novos usos do espaço e hoje beneficia toda a aldeia, pois as atividades realizadas ali são vitais para preservação da cultura, como reuniões de lideranças, distribuição de alimentos dentro do programa de recuperação de crianças de baixo peso, e aulas culturais com os professores maxakalis.

"Todos os dias há aulas de cultura, de uso do território e de língua materna maxakali. No espaço também são preparadas as refeições para as crianças de baixo peso junto com uma nutricionista, como sopas e verduras, e os resultados são acompanhados mensalmente. E quando há necessidade, as reuniões do conselho local de saúde e limpeza da comunidade também acontecem no casarão cultural. A Aldeia ficou muito alegre, o ambiente agora é muito agradável e dá para fazer todas essas atividades”, ilustra Itamar Maxakali.

Em 2014, ao término da terceira edição, recebida pelos Krenak, em Resplendor, a aldeia contou com a construção de duas cabanas culturais onde os indígenas realizam atividades semelhantes às do Povo Maxakali, como reuniões, aulas da cultura tradicional Krenak, além de diversas confraternizações da comunidade.

A Aldeia Guarani Pataxó, em Carmésia, também comemora o legado deixado pela segunda edição dos Jogos Indígenas, realizados em 2013. A construção de duas cabanas de religião trouxe benefícios à aldeia, no sentido de preservação da cultura tradicional Pataxó.

As cabanas de religião são usadas para os tradicionais rituais indígenas e confraternizações, além de reuniões de lideranças locais.

Após a primeira edição, recebida pelo Povo Xacriabá, em São João das Missões, em 2012, os legados começaram a ser pensados e idealizados, para na segunda edição serem implementados.

Já nesta quinta edição, no Território Indígena de Xukuru-Kariri no município de Caldas, a herança escolhida pela comunidade é um monumento em memória dos Jogos Indígenas, que será construído futuramente por um artista plástico a ser escolhido pela aldeia juntamente com as secretarias de Estado.

Segundo o cacique Jal, da tribo Xucuru-Kariri, sede dos Jogos da atual edição, os legados são uma forma de incentivar, apoiar e fortalecer as culturas indígenas e trazem benefícios a todas as comunidades. “Os povos indígenas dependem de uma política estadual sintonizada com os municípios em que estão inseridos. Essa é uma maneira de garantir visibilidade aos Xucuru Kariri e continuidade dos saberes tradicionais da nossa e de outras tribos”, diz o cacique.

Várias localidades no Brasil promovem jogos regionais indígenas. Desde 1996 são realizados os Jogos Brasileiros e, em 2015, foi realizada a primeira edição dos Jogos Mundiais Indígenas em Palmas, no Tocantins. Indígenas de 22 países e 24 etnias brasileiras participaram do evento.

 

Programação - V Jogos dos Povos Indígenas de Minas Gerais

Data: 13 a 17 de setembro de 2017 (quarta-feira a domingo)
Local: Aldeia Xucuru-Kariri – Caldas/MG

13 de setembro de 2017 (quarta-feira) – Início das atividades
Chegada das etnias à Aldeia
12h às 13h – Almoço
13h às 20h30 – Acomodação dos indígenas
20h30 às 21h30 – Jantar e rituais indígenas

14 de setembro de 2017 (quinta-feira) – Jogos Indígenas
7h às 8h – Café da manhã
8h às 12h – Abertura e rituais indígenas
12h às 13h – Almoço
13h às 17h – Execução das modalidades esportivas
20h30 às 21h30 – Jantar e rituais indígenas

15 de setembro de 2017 (sexta-feira) – Jogos Indígenas
7h às 8h – Café da manhã
8h às 12h – Execução das modalidades esportivas
12h às 13h – Almoço
13h às 17h – Execução das modalidades esportivas
20h30 às 21h30 – Jantar e rituais indígenas

16 de setembro de 2017 (sábado) – Jogos Indígenas
7h às 8h – Café da manhã
8h às 12h – Execução das modalidades esportivas
12h às 13h – Almoço
13h às 17h – Execução das modalidades esportivas
20h30 às 21h30 – Jantar e rituais indígenas

17 de setembro de 2017 (domingo) – Finalização das atividades
7h às 8h – Café da manhã
8h às 12h – Premiação e encerramento
12h às 13h – Almoço
Saída das etnias da Aldeia