Mulheres que atuam no esporte participaram do debate. Foto: Renata Silva/SEESPPara profissionais que têm a competência posta à prova todos os dias pelo simples fato de serem mulheres, o diálogo é valioso. Com o objetivo de ouvir e compartilhar a realidade das representantes femininas no ambiente esportivo, além de conhecer as dificuldades que existem e buscar soluções em conjunto, a Secretaria de Estado de Esportes (SEESP), por meio do portal Observatório do Esporte, promoveu, nesta quinta-feira (08), o 1º Dialogue com Elas para celebrar o Dia Internacional da Mulher.

Participaram do momento de interação – conduzido pelo secretário de Estado de Esportes em exercício, Ricardo Sapi –, a professora Cláudia Barsand; Deanne Silva, judoca paralímpica; Helen Araújo, árbitra assistente de futebol; Cibele Castro, ex-servidora da SEESP; Chris Diniz, integrante do Conselho Estadual da Mulher; Ilma Laís, superintendente de Fomento e Incentivo ao Esporte da SEESP; Mariana Rosignoli, advogada desportiva; Myrian Fortuna, presidente do Tupi Football Club, de Juiz de Fora; e Maria Inês Salles, técnica de ginástica rítmica. Todas foram homenageadas pela SEESP com um certificado em reconhecimento pelos serviços prestados ao esporte mineiro.

Segundo o secretário, a intenção é transformar o 1º Dialogue em encontros frequentes para troca de experiências. “É uma iniciativa inédita e muito importante da Secretaria. Nossa intenção é ampliá-la para viabilizar a adesão de mais mulheres ao esporte, em todas as suas áreas, como atletas, técnicas, dirigentes e mesmo como torcedoras, e evitar que exista qualquer tipo de preconceito”, comentou Sapi. 

No debate, as participantes foram unânimes quando tratada a invisibilidade feminina no meio esportivo. “Temos aqui quantas pessoas, quantas histórias e quanta invisibilidade perante a sociedade, não é?”, observou a professora Cláudia.

Myrian, presidente do Tupi, equipe da primeira divisão do futebol mineiro, falou sobre a falta de mulheres como dirigentes de times. “Muitas mulheres deixam de se envolver com esse meio por falta de oportunidade e pelo preconceito em um espaço predominantemente masculino”, relatou. "Quando assumi a presidência do Tupi, cheguei a perder patrocinadores, uma vez que o time passou a ser comandado por uma mulher, e me disseram que, caso o clube fosse rebaixado, a culpa seria minha".

A técnica de ginástica, Maria Inês Salles, que fez parte da Seleção Brasileira da modalidade como atleta em 1975, falou das dificuldades do esporte especializado e da falta de reconhecimento por parte da população em geral. “Eu fico muito feliz e emocionada, porque depois de tantos anos de trabalho, é a primeira vez que sou lembrada para um momento como este”, destacou. “Eu sempre disse para os meus alunos: não sonhem pequeno; sonhem grande, porque o tamanho do nosso sonho será o tamanho da nossa realização. E eu sempre sonhei grande, desde que eu era ginasta, e em breve terei a segunda ginasta em uma Olimpíada. Só quem trabalha com esporte sabe o quanto isso é difícil em um país como o nosso”, comentou, referindo se à ex-ginasta Daniela Leite, que esteve nos Jogos Olímpicos Pequim 2008, e à jovem Eduarda Braga de Carvalho, que buscará a classificação para Tóquio 2020.

Já a judoca paralímpica Deanne Silva, contemplada pelo programa Bolsa Atleta da SEESP, falou dos desafios enfrentados pela mulher com deficiência e reconheceu a importância da prática esportiva. “O esporte mudou a minha vida. O esporte muda a vida de qualquer pessoa, principalmente da pessoa com deficiência, e ter lugares adaptados para nos atender é muito importante”, afirmou.

Na discussão foram levantadas demandas sobre a realidade da mulher no esporte, como o preconceito e o desrespeito por parte de torcedores, especialmente; a falta de oportunidades e a deficiência de estrutura das praças esportivas para recebe-las. Os pontos abordados serão transformados em um plano de ação para que as políticas públicas ampliem o atendimento às mineiras.

A ação faz parte das atividades do Observatório do Esporte. Mais que um portal, o site é uma iniciativa da SEESP com o intuito de monitorar a realidade esportiva mineira por meio do levantamento de dados, números, indicadores e pesquisas que subsidiem o diálogo, programas e tomada de decisões de agentes dos setores público, privado e da sociedade civil para ampliação do fomento ao esporte e à prática de atividades físicas em Minas Gerais.

Presidência simbólica

Nesta quinta-feira, foi realizada a 51ª reunião do Comitê Deliberativo Minas Esportiva Incentivo ao Esporte. Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, o secretário Sapi, presidente da comissão, passou a presidência simbólica à servidora Denise Hallak, que foi responsável, então, por conduzir a análise dos 47 projetos protocolados no mecanismo da SEESP que estavam na pauta.