Foto: Divulgação/Kendo AMCNBSurgido no final do século XIX, quando o Japão passava por um rápido processo de modernização e os Samurais deixavam de existir como classe social, o kendo vem ganhando adeptos em Minas Gerais.

Segundo Flávio Guimarães, praticante da modalidade, atualmente cerca de 20 pessoas em Minas Gerais são atletas da arte marcial que, segundo ele, é bastante democrática. “O kendo é para a vida toda. De criança a idoso. Na medida em que o tempo passa e o físico naturalmente se deteriora, a parte mental e espiritual vai se tornando mais importante. É muito motivador treinar com professores de 60, 70, 80 anos e ver a força que eles demonstram”, comenta.

Para ele, o kendo não traz benefícios apenas do ponto de vista da atividade física. “A gente também ganha muito em autocontrole e autoconhecimento, aplicando no dia-a-dia o que aprendemos nos treinos: respeito, foco, determinação e disciplina. Além disso nos acostumamos a sempre estar querendo melhorar, sair da zona de conforto”, diz.

O secretário de Estado de Esportes em exercício, Ricardo Sapi, conferiu de perto oficinas de kendo durante a realização do 7º Festival do Japão em Minas, no fim de fevereiro. “Fico bastante feliz de ver o crescimento de diferentes modalidades esportivas em nosso estado. Essas, ligadas à cultura nipônica, especialmente, trazem, além da prática esportiva, uma filosofia bastante valiosa para os tempos atuais”, avaliou.

Por ainda não haver uma federação do kendo, a entidade responsável pela modalidade em Minas Gerais é a Associação Mineira de Cultura Nipo-Brasileira (AMCNB), que é filiada diretamente à Confederação Brasileira de Kendo. As pessoas interessadas em praticarem a arte marcial devem procurar a Associação pelos telefones (31) 3428-3199, 3428-1690 ou pelo e-mail kendo@kendobh.esp.br.

Segundo Flávio, a expectativa é que, em 2018, seja feito um evento para comemorar os 10 anos do grupo de praticantes de kendo em Minas Gerais. “Não temos competições regulares no estado. Normalmente participamos todo ano dos campeonatos brasileiros e eventualmente de campeonatos regionais em outros estados”, contou.

O kendo

Imagem: Divulgação/Kendo AMCNBO kendo (caminho da espada) evoluiu da necessidade de transmitir as técnicas para manejo da espada e evoluiu até se tornar uma forma de encarar a vida (do = caminho). No Brasil, o kendo chegou junto com os primeiros imigrantes que, segundo contam, treinavam até mesmo no navio, durante a viagem até aqui.

Em 2009, o Brasil foi sede do campeonato mundial da modalidade pela segunda vez (a primeira foi em 1982).

O kendo é uma arte marcial que não é voltada diretamente para autodefesa, já que seus praticantes não carregam espadas na cintura atualmente. Por outro lado, as atitudes que ensinadas durante o treinamento são utilizadas o tempo todo, no trabalho, na escola e com a família.

Para pontuar no kendo é necessário atingir o local correto no adversário, com a parte correta da shinai (uma espada de bambu), com o corpo sincronizado e mantendo a postura após o golpe. Normalmente, nos campeonatos, a disputa é em melhor de três e quem fizer dois pontos, vence.

As áreas válidas de corte são 4: cabeça (men), antebraço (kote), abdomem (do) e garganta (tsuki).